Confira entrevista com Ricardo dos Santos Antonio, Vice-prefeito e Secretário Municipal de Educação, Iete Rodrigues Reis, Diretora do Departamento de Educação da SEC e Sheila Ceccon, Coordenadora do Programa de Educação Ambiental Fruto da Terra.

Por que Educação Ambiental em Atibaia?

Ricardo dos Santos Antonio – Educação Ambiental faz parte do programa de governo do Partido Verde que, no Município de Atibaia, conta com José Roberto Trícoli como prefeito e comigo, que sou Secretário de Educação desde 2001, portanto há cinco anos envolvido com a construção desse trabalho.

Educação Ambiental é, atualmente, um dos temas que estão em maior evidência.

Por que a prefeitura de Atibaia resolveu incluí-la como prioridade na educação, na formação de crianças e adolescentes?

Ricardo - Primeiro, porque Atibaia é uma estância climática, uma área de preservação, fato que por si só torna necessário trabalhar a questão educação ambiental pela própria cidade.
Segundo, porque é um tema abrangente, que permeia toda a educação enquanto instituição. Na escola, ela é um caminho que possibilita às crianças e adolescentes levarem essa formação para além dos muros, para as suas comunidades.
Por esses dois motivos era preciso fazer um trabalho nessa área.
A primeira experiência que fizemos foi com uma ONG de Atibaia, chamada Instituto Pedra Grande. Começamos um trabalho que, devagarzinho foi ampliando para toda a Rede de Ensino: creche, ensino fundamental, educação de jovens e adultos. O que começou como um projeto pequeno, hoje se transformou num Programa, que a gente chama de Fruto da Terra.
Esse trabalho vem se desenvolvendo desde 2002, e hoje está começando a dar bons frutos. Já nos ajudou na implementação de programas gerais, como por exemplo, o de Coleta Seletiva, resultado de um processo de muita discussão e de reflexão nas escolas.
Eu acho que a Educação Ambiental está ligada também a toda a prefeitura, e não só à escola. Ela é, do ponto de vista de política pública, uma filosofia que faz parte da própria estrutura da prefeitura do município.
Inauguramos a primeira estação de tratamento de esgoto, a usina de reciclagem de lixo, trabalhando a questão dos resíduos sólidos. E isso ajuda bastante a consolidar o programa. Talvez seja, em linhas gerais, o que a gente fez nesses cinco anos de governo construindo toda essa idéia de uma política de implantação da chamada Educação Ambiental dentro da escola.
Volto a frisar: Educação Ambiental tem que sair só do âmbito escolar, tem que estar permeado pela cidade. Temos que pensar o todo, e não só a parte, senão não se consolida a idéia.

É um desafio implantar Educação Ambiental como uma política transversal. Como os órgãos da prefeitura lidam com essa questão?

Ricardo - Atibaia já está até bem resolvida nessa questão, porque existe aqui um trabalho conjunto. Cada secretaria tem seu trabalho diferenciado, mas todos se juntam nas idéias. Existe co-responsabilidade.
Nós temos um órgão que é gestor da água, do esgoto, da coleta do lixo. Contamos com a SAAE, uma autarquia municipal, que passa a ser importante nesse processo de mudança de mentalidade, para construir na cidade a idéia de que meio ambiente é responsabilidade de todos.
Sabemos das dificuldades, mas sabemos também que esse é o único caminho. Nós não temos outra saída senão nos juntar e trabalhar com prevenção. Quando falamos em tratamento de água, de esgoto, sabemos que estamos falando da questão de saúde e que tudo está ligado ao meio ambiente.
Se não trabalhar conjuntamente não se consegue fazer muita coisa. Não há outra alternativa, estamos convencidos disso.

Iete, por que incluir Educomunicação em Atibaia?

Iete Rodrigues Reis – A partir de 2005 nós começamos na rede um movimento de discussão, de reelaboração curricular, inclusive, e as escolas estão na fase de fechamento da redação do PPP - Projeto Político Pedagógico.
Partindo desse ponto, foi definido pela rede que Educação Ambiental seria o eixo norteador dos projetos das escolas. Comunicação entrou porque nós acreditamos que o desenvolvimento da educação ambiental não deve ficar restrito somente dentro da escola.

É preciso envolver as famílias e o entorno da escola. A educomunicação pode contribuir nesse sentido.

Sheila, você está participando da 1ª fase de formação do Programa de Educomunicação de Atibaia. Como está sendo?

Sheila Ceccon – Está sendo riquíssimo. Nós tínhamos seis escolas que já possuíam equipamento de rádio, mas utilizavam esse equipamento sem intenção pedagógica. Algumas utilizavam para colocar música na hora do recreio, outras para aviso, e uma ou outra para transmitir programas, mas ainda de forma muito dirigida pelo professor. Eram eles que escolhiam aqueles meninos que tinham maior facilidade para se comunicar, por exemplo.

Eu percebo nos encontros que nós tivemos que o olhar já começou a mudar. Existe uma intencionalidade em usar o rádio como um instrumento de socialização, somando muito ao Programa de Educação Ambiental que estamos construindo.
Em relação à Educação Ambiental, especificamente, um ponto frágil é a sensação de impotência que se sente, por exemplo, quando se levantam algumas questões ambientais para um grupo de alunos e eles percebem que simplesmente mudar a própria atitude não resolve o problema.
Como coordenadora do programa, eu vejo que a educomunicação apresenta várias possibilidades de a Educação Ambiental ir além da sala de aula, ir além mesmo da própria escola.
Será possível, por exemplo, estabelecer articulação com rádios na cidade, fazer permuta de programas de rádio entre escolas de diferentes locais do município. Ou seja, ações como que vão abrir muito o horizonte, tornando mais efetivo o trabalho já existente e que, em especial, vão dar às crianças mais poder para intervir nas atitudes e na forma de ver da sociedade, em relação a meio ambiente.