Qualquer método logo vira um sistema burocrático
mas nenhum método também pode virar um método
Plínio Marcos
Seguramente, não é o método que garante atingirmos nossas metas. Ao contrário: o que dá sentido à escolha da metodologia é o que queremos fazer com ela. Caso não tenhamos, de antemão, essa clareza, corremos o risco de transformar nossas ações em mais uma das tantas práticas burocráticas que já existem e que, antes de contribuírem para as pessoas se reconheçam no que fazem, contribuem para o seu embotamento.
Pensando nestas questões, apresentamos didaticamente as quatro etapas que fazem parte da metodologia de que estamos nos valendo, desde 1995, com diferentes grupos, de variadas localidades brasileiras.
A intenção deste texto é partilhar um jeito de trabalhar que vem atendendo às nossas expectativas e nos trazendo muitas alegrias. Muitos passaram a ser mais desinibidos (nada é pior do que ter vergonha ou medo de perguntar!), a conversar com altivez com qualquer tipo de pessoa, independente do cargo que ocupe, a aguçar os ouvidos, a ser mais pacientes e respeitosos, a voltar os olhos para si e para os companheiros, a aprender a conviver e, principalmente, a inserir seu ponto de vista sob os mais diversos assuntos, nos mais diferentes lugares.
O nome da metodologia traduz o que pretende o projeto que a gerou - contribuir para que pessoas, independente de idade, gênero, origem ou condição social exerçam o direito não só de receber informação, mas de produzir comunicação.
As quatro etapas da metodologia
Antes de tudo, convém esclarecer que a quantidade de etapas de trabalho proposta para a realização de qualquer prática educomunicativa não deve ser entendida como seqüencial, ou seja, algo que deve ser cumprido rigorosamente na ordem em que aqui aparece. O número quatro deve ser tomado como cardinal, isto é, apenas como uma marca da quantidade de movimentos realizados pelos grupos durante a tarefa.
Em outras palavras: temos observado que os grupos iniciam seus trabalhos de diferentes maneiras, nem sempre começando pela definição de pauta. Entre crianças, por exemplo, é comum a atividade ser desencadeada a partir de expressões do tipo eu quero ser repórter , ou eu quero fazer um “filme de terror” o que leva o grupo na seqüência a pensar em assuntos ou argumentos que melhor sirvam para realizar as idéias. Há casos em que as pessoas começam conversando sobre algo que viram ou ouviram e esse rememorar leva a pensarem em como tratar da questão de uma outra maneira. Acontece também de às vezes iniciarem avaliando o trabalho anterior do próprio grupo. Isso foi bom, aquilo eu não achei legal são expressões que desencadeiam a nova atividade.
O que constatamos, entretanto, é que, independente de onde partam, todos os grupos vivenciam, necessariamente quatro etapas de desenvolvimento da ação coletiva.
Vejamos, pois, um pouco o que as caracterizam:
- Levantamento e Definição de Pauta -
- Produção -
- Apresentação -
- Avaliação -
Aspectos fundamentais
- A Metodologia Cala-boca já morreu é voltada para pequenos grupos. Queremos que as pessoas se olhem nos olhos, chamem-se pelo nome, dêem mais atenção uns aos outros e se conheçam melhor. Estes são pressupostos básicos de quem busca uma outra forma de organização social, pautada na justiça e nas relações solidárias.
- O mediador deve entender que seu papel é fundamental no processo. Ele não é um ensinador. É, sim, antes de tudo, uma pessoa que sabe que seu papel é político, exigindo de sua parte muita clareza do que quer para si, do que sonha para os outros. A ele cabe a função de estimular o debate e aprofundamento das opiniões emitidas, bem como a de criar condições para que o grupo aprenda a lidar com maturidade as divergências de idéias e comportamento dos companheiros.
- Esta metodologia valoriza muito mais o processo do que o produto. Respeita diferenças de sotaques e expressões corporais, entendendo que a apropriação dos recursos da comunicação deve ser ferramenta na mão daqueles que se juntam para pensar e juntos planejar a própria vida.
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diferentes grupos
Criada no Projeto Cala-boca já morreu - porque nós também temos o que dizer!, essa metodologia foi levada para diferentes projetos, tais como educom.rádio, NCE -ECA/USP , em São Paulo (2001), capital, Projetos Rádio-Escola das cidades paulistas de Vargem Grande Paulista (2000), Piedade (2002) e Sorocaba (2001), onde também implantou-se, a partir do mesmo ano o Projeto Vídeo-Escola, Oficina de rádio Ondas Paranóicas com usuários da saúde mental da cidade de São Paulo (desde 1996), Revista Engrama e Programa de rádio Embalos de domingo à tarde , com alunos da 3ª idade da UNATI / FITO-FEAO Osasco - SP (de 1998 a 2002) e Oficinas de Vídeo durante as Mostras de Cinema Nacional de Paraty- RJ (2003 e 2004) e a Adventure Sports Fair, em São Paulo (2004). |